O Livro, H. P. Lovecraft
O lugar era escuro e poirento, meio perdido
Num Labirinto de vielas junto aos molhes,
Cheirando a coisas raras trazidas de outros mares,
Envolto em estranhas névoas agitadas p´lo vento.
Uns vidros em losango, que a geada e o fumo velavam
Deixavam entrever pilhas de livros, como torcidas árvores
Desde o sobrado ao texto – putrefacto amontoado
De sapiência antiga a baixo preço. Enfeitiçado
Entrei, e dum montão cheio de teias
Um cartapácio tirei e ao acaso o folheei,
Estremecendo ao ler palavras raras que pareciam
Esconder de olhares humanos um prodigioso segredo.
E então, quando o vendedor astuto em volta quis achar
Apenas um eco de gargalhadas pude encontrar.
(do livro Os fungos de Yuggoth, trad. Nocolau Saião, Black Sun Editores, Lisboa)