Poesia Portuguesa

De fora futurismo, Bramão de Almeida

Há oiro dentro de mim a pontapé,
Em barra, em pó, em jóias medievais,
Capacetes de gelo, – catedrais.
Loiça da China, sacos de café.

Sou topázio, sou bote de rapé,
Ânfora de oiro fino entre cristais;
No meu peito estrelado há mil ideais
Incompreensíveis para um jacaré.

Em campo de latão minha alma ajoelha;
(Canta em mim um hangrã de longa crista,
Debicado no milho). Segurelha!

… Gosta o leitor do que lhe ponho à vista?
Se não gosta, desculpe a minha telha
– São versos à maneira futurista.

Nota: poema publicado no Século Cómico a 3 de Junho de 1915, tentando atingir o estilo de Sá Carneiro. Passado quase um século, desses versos fica apena o sorriso… e a cegueira dos críticos do movimento futurista.

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