Rui Tinoco - Poesia

desculpem-me: tropecei

desculpem-me: tropecei,
trapalhão que sou, rasguei as frases,
ergui algumas palavras como um tosco chapéu.
é preciso esperar pelos murmúrios.
é preciso esperar por não ter que provar nada.
eu, regressado do silêncio, confundo-me
ainda com a ideia de fazer versos – como
se eles pudessem ser feitos! – ou de fazer chuva
ou sol, como se essas frases fossem realmente
verosímeis.
é preciso inventar uma expressão que brilhe
por si mesma… mas tropecei,
trapalhão que sou, já vos disse: espero
pelos murmúrios e pelo desprendimento,
aceito o silêncio como eterno
ponto de partida: a sua brancura da página,
o seu irrefragável sentimento das coisas a acontecer.
pacientemente, recolho os murmúrios,
desço da rua onde me situo
e o rio que sobrevoo, ou um bater de asas,
oferecem-me novamente a surpresa do dizer.

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