Rui Tinoco - Poesia

Sem título

É preciso despedirmo-nos de nós próprios,
ficar e partir, não negar a alma
quando, naquela manhã de sempre, nos despedirmos
do que mais gostávamos, nos afastarmos de nós
mesmos, pressurosos, carregando sozinhos
o tempo. A alegoria universal do relógio
pousado por sobre o pulso: o tempo carregado
apenas por um mísero corpo, o espaço
pesado da solidão que não queríamos,
a tarefa impossível de ficar e partir, romper
com o que desejámos, para depois nos imitarmos:
somar passos sem querer fazer contas.

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