Rui Tinoco - Poesia

Volto para cantar nos mesmos lugares

Volto para cantar nos mesmos lugares

numa obsessão inadiável e urgente

que faz repetir-me

e ver-me de muitos lugares até à exaustão.

Em mim, as minhas histórias

estão sempre a mover-se.

Às vezes parece que é o seu devir,

a sua necessidade de sangue,

que me obriga a certas palavras e gestos

e àquelas noites compridas, mas velozes,

injectadas de dor e de amor

gravadas para sempre na memória

e depois na minha caneta.

Inspiro vida, aquela velha capacidade de arder

nos ossos até ao fundo,

de abraçar com igual entrega o amor

a dor e o ódio,

pois uma pessoa que já confundiu o seu corpo no meu,

nunca, jamais, conseguirá ser-me indiferente.

RT, 1995

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