Escritas em prosa / Rui Tinoco - Poesia

“Cada vez que morre um velho africano…”

“Cada vez que morre um velho africano é assim como uma biblioteca que se incendeia.”

frase de um homem da UNESCO a Lygia Fagundes Telles no Jornal de Letras de 2 de Julho de 1997

Um velho africano

de membros retorcidos

como velhas árvores

e mais acima, na fronte,

a fronte como um papiro

infindável e frágil.

É este o retrato.

Acontece que os velhos caem

entregam suas carcaças ao pó

mas não como o resto dos homens:

ao caírem, consome-se uma biblioteca

em labaredas

e aumenta o deserto.

Os desertos não são só de terra:

podem também trepar pelos homens remanescentes,

como agora que o velho africano fecha os olhos.

Agora que a biblioteca se incendeia.

RT

no Poetas & Trovadores Out Dezembro 2010

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