Rui Tinoco - Poesia

enquanto tiver boca para as palavras

enquanto tiver boca para as palavras

emudecerei o silêncio, os lentos olhos

do tempo. irei buscar imagens

à memória. porei os dedos entre

os dias, a ilusão de não ser água,

de não desaparecer em nuvem

que depois se precipita. deixai-vos

estar um pouco mais: imaginai

a chuva, o esplendor do verão,

uma luz forte que não desiste.

ide procurar imagens à memória:

a de um corpo pequeno mergulhado

no início da vida, a de uma chuva

primordial, geradora de mundos.

sintam, com os vossos corpos,

o fluir das horas, a combustão contínua

do sol. quem um dia nos chorar

saberá que as lágrimas têm também

a sua história.

RT

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