Poesia do Mundo

Xenócrates recorda uma mulher

Vi-te sair do mar, dourada, húmida, atenta

ao clamor silencioso que produzia a tua imagem.

Não esquecerei o teu corpo nu. Todas as tardes

volto à praia onde te acariciou a espuma

os joelhos dulcíssimos. E recrio-te no ar

parado. Não esqueço o teu corpo desejável,

as tuas coxas reluzentes, os teus seios…

                                                        Entreguei-me

às esferas áridas, frias, das ideias,

buscando o refúgio que a tua pele me não oferece.

Mas em vão. Não esqueço de água ardendo.

E nos livros não vejo mais do que as tuas linhas.

                                                         Sigam

os louco atenienses pensando que sou sábio.

De Josefa Parra Ramos (trad. de Carlos Leite)

Revista de poesia DiVersos, nº2

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