Rui Tinoco - Poesia

No assassinato de Júlio César

 

a serenidade da pedra

no vago sorriso de Pompeu,

uma paz que se conquistou

na morte. percebes César?

as tuas mãos ensanguentadas

tocam o seu rosto esculpido como

se estivessem à procura de algo.

o célebre: «quoque Brutus?»

soou há minutos – ou há

séculos? – não há nada

mais a interrogar e isso é, por si,

uma forma de sabedoria.

como é duro perceber tudo

num corpo que se convulsiona:

o sangue que se espalha, os

punhais que se repetem

como se já não tivesses

entendido a mensagem. no céu

uma estrela brilhante cruza

a abóbada – dizem que é a tua

alma. na terra, o corpo

encolhe-se, rola

como se fosse um simples seixo

do rio que se desprende

sem mistério algum.

RT, 2012

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