Curtas

Os deuses e os mercados

Em tempos antigos, da idade media e mesmo quase até aos nossos dias, um agricultor, longe de centros urbanos, vivia constantemente aterrorizado. Ele era culpado desde que nasceu – o famoso conceito do pecado original. O seu comportamento poderia indispor os elementos naturais contra a comunidade a que pertencia. O terramoto? A chuva fora de tempo? O trovão? Tudo isso poderiam ser sinais de mau comportamento do nosso agricultor. Era necessário ser obediente para tentar aplacar todas estas forças.

E agora? Somos constamente bombardeados com acusações: «vivemos todos acima das nossas capacidades». E, no fundo, somos todos culpados por isso. A pressão para a obediência segue também idênticos caminhos: a greve geral? A declaração do dirigente sindical? Ou o protesto do partido da oposição? Tudo isso teve uma repercussão gigantesca, e negativa, nos mercados.

O mercado é no fundo um deus do Antigo Testamento: vingativo e implacável. Exige constante atenção e subserviência. Pode, inclusive, não aplacar-se apesar dos nossos melhores serviços.

Agabem, numa curiosa entrevista, propõe e desenvolve este tema. Recomendo fortemente a leitura aqui.

Da mesma forma, Manuel Castells na sua obra A Galáxia Internet estuda o papel do mundo virtual na criação destes movimentos internacionais de especulação financeira. Leia aqui a obra.

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