Curtas / José Afonso / Poesia Portuguesa

Os eunucos de José Afonso

A propósito da reedição remasterizada da obra de Zeca Afonso, ouvi numa rádio alguém a considerar a música Os Eunucos como uma continuação natural dos Vampiros.

Nos Vampiros a atenção é focada naqueles que rapinam, não são solidários, destroem tudo à sua passagem. Já em Os Eunucos Zeca centra-se no papel complementar. Nas pessoas que são exploradas e nada conseguem fazer àcerca disso.

Mas de que modo ficam paralisadas?

Não se trata de pessoas indigentes mas de pessoas que não se libertam por não conseguirem pensar de outro modo. Por outras palavras: que não se conseguem libertar do que lhes é dito para pensar.

«Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais»

(…)

«Em vénias malabares à luz do dia
Lambuzam da saliva os maiorais
E quando os mais são feitos em fatias
Não matam os tiranos pedem mais»

Os eunucos são, enfim, o resultado de uma forte doutrinação mediática, objetos agidos – usando uma expressão de José Gil – que não conseguem abrir a porta das suas prisões e reclamar a liberdade de pensamento.

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