Poesia Portuguesa

A pintura cura-me

Regresso aos cadernos

às palavras aos riscos

a esta prolongada hesitação

dos olhos sobre o espelho.

.

Quem ronda a passagem estreita?

.

São sombras que convergem

e traio a dianteira

na razão de um vento.

.

Eu sou a fonte que teme o palco

e a pintura cura-me.

(Emerenciano, A mão tingida sobre o espelho / Chão prisão do Mundo, 1998, Porto, Campo das Letras).

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