Escritas em prosa

Alba – Rui Tinoco

Estou no desespero do início das manhãs, penso neste dia a gastar, sei onde vou estar a cada hora. Uma quantidade de tarefas fúteis e, ao mesmo tempo, imprescindíveis. Vou cumpri-las e nada vai acontecer.

Prolongo, por mais uns minutos, o início das coisas engendradas umas nas outras. Ponho-me na tua torre, observo o chão da tua torre. As tuas defesas. Estão silenciosas, esperam matar um assalto mais violento. Saio da torre.

Cá fora o pesadelo dos dias a começarem com auroras estranguladas. Já não temos reflexos belos nas nossas pupilas, já não temos caminhos ladeados de urze (que também é bela).

Não posso querer jardins só aos fins-de-semana. Não posso aceitar uma espada suspensa para me decepar. É assim que os corpos se gastam rapidamente.

Novamente, a tua torre.

Desta vez, não entro. Sinto apenas o absurdo de todas essas armas de fazer doer. Lembro-me de um antigo passeio campestre: passeei junto as amuradas de um fortim. Ervas silvestres, silêncio com cantar de aves. Assim me passeio junto de ti.

RT, 1994

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