Rui Tinoco - Poesia

a casa que se enche

a case que se enche

de memórias de outras

gerações. o relógio de pêndulo

marcou a rotina do meu

avô. gestos que agora só posso

imaginar, mas que estão ali

quando dá as horas, ao

jantar, entre as palavras

dos meus velhos pais. lá

em cima, no meu antigo

quarto, filhos e sobrinhos

soltam gargalhadas

numa algazarra que já

foi a minha. a existência

é assim: desloca-se continuamente.

enfim, são horas. fazem-se

as despedidas, a mãe aconselha

que guie com cuidado.

nas suas pupilas vejo refletida

a criança que nunca mais

poderei ser. é então que a

abraço: «que tens?»

«não foi nada, mãe, não

foi nada».

abril 2013

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One thought on “a casa que se enche

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