Curtas / Escritas em prosa

O Banco de Jardim – Rui Tinoco

Estava  separado há quarto anos. Ela disse-me que não queria mais nada comigo. Lembro-me de  ficar sozinho num banco de jardim, enquanto se afastava. Lembro-me também da  longa hesitação em que me vi mergulhado. Regresso a casa ou não? E fico a dormir  onde?
Há mais de dez anos que tinha saído da aldeia e mergulhado na grande cidade.  Arranjei um emprego e vivíamos numa casa alugada.
Tive  de ir lá dormir.
Nos  primeiros dias fiquei no sofá. No fundo, ainda tinha esperança que as coisas  melhorassem. Estava enganado. Desmontei, meses mais tarde o escritório e fiz nele o  meu quarto.
Desde  então passámos a ser amigos com alguma ressalva: nunca levávamos para casa as  aventuras que certamente íamos vivendo. Uma espécie de pudor ergueu-se entre  nós.
Foi,  por isso, uma surpresa o dia em que entrou casa adentro com um homem pela mão, chamava-se Duarte. Começou a ficar mais tempo , até que um dia tornou-se  oficial: passou a morar lá em casa.
Entendíamo-nos  perfeitamente.
Eu  tinha por hábito passear depois do jantar. Especialmente em dias de calor.  Sentava-me naquele banco do jardim de que já falei. Foi num desses dias que vi o  Duarte. Acenou-me, aproximou-se.
Ficámos  sentados no banco. A certa altura desatei a rir, olhei para ele. Beijou-me.  Dei-lhe eu um outro beijo.
E  agora? Regressamos a casa?

Leia Mais:  http://nanquin.blogspot.com/2012/08/o-banco-do-jardim.html#ixzz2UZpT6em1

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