Rui Tinoco - Poesia

claro que és sincera

claro que és sincera, que

pretendes guardar a nossa ternura

num qualquer recanto do teu

coração. mas eu vou dizer-te

como as coisas vão ser: encontraremos

daqui a dez anos o sobressalto

e a tremura. iremos pedir

café àquela confeitaria. “o que

tens feito?”, “estás igualzinho”,

“até parece que o tempo

não visitou a tua casa…”, “onde moras?”

em suma, habitaremos uma

conversa que pretende alimentar

as sombras. “e filhos?” já vês

o que quero dizer: seremos nós

que saíremos à rua e num beijo

distraído deixaremos a tremura,

o sobressalto entre vagas migalhas

a pagarem a conta do que tomámos.

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