Curtas / Escritas em prosa

A urna – Rui Tinoco

O papá e a mamã andavam tristes. Iam  todos os dias para o hospital, mas as notícias não eram boas. A doença do avô  teimava em não passar. Lembro-me depois de um telefonema: a mamã desatou aos  gritos e o papá foi para a varanda fumar.

Nesse  dia fui dormir a casa de uma primas. Diverti-me imenso mas queria estar triste  não sei porquê.
Quando  regressei a casa, ninguém queria falar da doença do avô. Chegaram-me a gritar  quando insisti um pouco mais sobre o assunto.
Costumava  brincar no escritório do papá. Reparei, dias depois, num estranho vaso, de pedra  escura. Era imensamente pesado. Perguntei à mamã o que aquilo era, respondeu em  voz alta:
– Vês, vês… agora responde-lhe tu… – mas o papá saiu de casa visivelmente  perturbado.
Nessa  tarde consegui abrir o vaso e, sem ninguém ver, pus a mão la dentro. Um estranho  pó cinzento, de estranho cheiro, meteu-se-me entre os dedos.

É  hoje: o papá vai ter de me explicar o motivo de todo alarido por causa de um  simples pó.
Leia Mais:  http://nanquin.blogspot.com/2012/11/a-urna.html#ixzz2UZrT7nx5

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