Rui Tinoco - Poesia

Sobre uma passagem do livro «Memórias da Grande Guerra» de Jaime Cortesão

cortesao

neste capítulo a autobiografia

evoca explosões, crateras,

a notícia de um gás venennoso

que se infiltra no próprio

poema. imagino o autor

a fugir dos disparos da artilharia

mas depois, numa dessas noites,

a tirar notas para mais tarde

descrever as explosões

no interior de um amplo quadro

que toda a gesta do CEP

merece. ergue-se também,

em plena madrugada, para ajudar

os feridos e moribundos

o melhor que puder. olhem

este, por exemplo: já está

condenado, o melhor que se pode

fazer por ele é transformá-lo

em personagem: geme

e lentamente se desvanece

na página oitenta e três.

abril 2013

(fotografia obtida aqui).

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