Jaime Rocha / Notícias / Poesia Portuguesa / Revistas

Poema 32 – Jaime Rocha

É um pedreiro que fala. E alguém ouve

em desespero como se o céu se abrisse

e os prédios fossem sorvidos por uma

esponja. Trata-se de um caso inédito.

 

A casa é que constrói o predreiro

e o prepara para a vida. É ela que chora

e que bate com as paredes contra

as mesas. É ela que olha a lua e espera

que dali venha um sinal de combate.

 

Depois, a mesma casa levanta do chão

uma navalha em lume e apunhala

o homem pelas costas.

*

(Cintilações da Sombra 2 – coordenação de Victor Oliveira Mateus)

 

 

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