António Pedro Ribeiro / Poesia Portuguesa / Sublinhados

Poema de António Pedro Ribeiro

Recuso-me a renunciar a mim mesmo
Recuso-me a obedecer ao que quer que seja
A Deus, ao Estado, aos patrões
Prefiro ser um vadio, um vagabundo
E dizer o que realmente penso
Não alinho na vossa lei,
Na vossa tranquilidade, ó burgueses,
Nasci diferente
Fui-me fazendo
Ouvi este e aquela
Li os mestres
Ouvi os discos
Tornei-me naquele que sou
Nada está acima de mim
Desprezo-vos, ó comentadores
Desprezo-vos, ó vedetas televisivas
Desprezo-vos, ó pregadores da morte
Eu vivo
Eu bebo
Eu brindo
Eu não me vendo
Eu venho dos sóis
Das estrelas
Nasci para passar a mensagem
A vida que levais é absurda
Sempre a correr atrás do dinheiro
Em vez de desfrutar da vida
Dos prazeres
Da sabedoria
Revoltei-me contra os números
E a economia
Não falo sequer a vossa linguagem
Vim para me completar
E para me dar
Ainda que esteja só
Ainda que poucos me sigam
Ainda que me queiram destruir
Matar-me à fome ou de tédio
Sou um homem livre
Um pensador
Um poeta
Escrevo para todos e para ninguém.

*

(Poema de António Pedro Ribeiro, “roubado” do Trip na Arcada, ver aqui)

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