Afonso Duarte / Poesia Portuguesa

Canção do nu – Afonso Duarte

Lindo

Mármore precioso que na alcova

Surpreendi dormindo!

E lindo

A luz dum fósforo, acendido a medo,

Despertou sorrindo.

E, lindo,

Dos olhos as meninas me saltaram

Para o nu que se estava descobrindo.

 

Linda!

Ficou-se ao desagasalho adormecida,

Ai vida,

Como ainda não vi coisa tão linda.

 

Linda,

Braços abertos em desnudo amplexo,

Seu corpo era uma púbere mendiga,

E ele é que estava pedindo,

Lindo,

O meu sexo.

*

Afonso Duarte, poema escolhido por Eugénio de Andrade para integrar a antologia Eros de Passagem, Porto, 1982, Limiar Edições

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