Poesia Portuguesa / Vasco Mousinho de Quevedo

Soneto VI – de Vasco Mousinho de Quevedo

Qual naufragante mísero que cai
Da rota barca no soberbo pego,
E lidando com os braços sem sossego
A cada onda recea que desmaie.

Tal, sem ter já lugar onde me espraie
Neste mar de meu mal, cansado e cego
Ando, aqui desfaleço, ali me anego
E a cada encontro seu alma me sai.

Em meio de mil barcas clamo, e brado:
“Me lancem por piedade um cabo forte”,
Mas a ninguém magoa meu cuidado.

Ah, não queirais que vida tal se corte
Que se vida me dais, ganhais dobrado,
Livrando muitas vidas de uma morte.

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