Nikiforos Vrettakos

Os Comboios, Nikiforos Vrettakos

De quando em quando, os comboios levam-me nas suas voltas,

como um exilado, que não sabem onde deixar,

como um prisioneiro, que não confiam a nenhuma prisão

– um prisioneiro que não conhece o seu erro,

a não ser que o desgosto da vida seja assassínio, a não ser

que o coração que ama tenha perdido toda a razão.

.

Os homens dão o sinal para que se abram as linhas,

os comboios passam as fronteiras para o outro lado,

as fronteiras para este lado e eu encontro-me à janela,

a viajar continuamente. Os revisores examinam os meus documentos,

observando cuidadosamente o meu rosto

profundamente enrugado, repletos de assinaturas e carimbos: «Pode passar…»

Então prossigo, até que, não sei onde, quando e como

o grande chefe da estação me confisca o passaporte.

.

Nikiforos Vrettakos, Revista de Poesia e Tradução DiVersos, nº 22

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