Dezso Kosztolány

QUARENTA ANOS COMPLETOS – Dezso Kosztolány

Se, quarenta anos completos, uma noite

acordas e depois por muito tempo

não consegues dormir. Olhas no escuro

o teu quarto. Devaneias lento nisso e

naquilo. Olhos abertos jazes como

na cova um dia. Essa virada é quando

a tua vida toma um novo rumo.

Pasma-te ter vivido entre terra

e estrelas. Algo frívolo te ocorre.

Brincas com isso. Cansas e o descartas.

Ouves algum ruído então na rua.

Sabes o que quer dizer cada ruído.

Nem estás triste. Só sereno, atento.

Quase calmo. Suspiras e te voltas

para a parede. Dormes novamente.

 

Poetas Húngaros, organização prefácio e notas de Zoltan Rozsa

Porto Edições Limiar, 1991

Dezso Kosztolány  1885-1936

trad. Nelson R. Archer

Dezso Kosztolány fez os seus estudos de filosofia na Universidade de Budapeste. Ainda muito jovem entrou na primeira linha dos poetas da revista literária Nyugat (Ocidente). É um brilhante mestre das formas. Na sua poesia decadente misturou-se o irracionalismo e o medo da morte. Os seus poemas mais belos nasceram da síntese da sua ligeira expressividade jocosa e da sua profunda humanidade.

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