DiVersos

Novo número da DiVersos, nº 24

diversos 20(publicamos aqui a nota introdutória da revista, escrita por José Carlos Marques).

SUMÁRIO

Vinte anos de poesia e tradução de poesia na DiVersos são assinalados neste número e sê-lo-ão no próximo.

Pela primeira vez inserem-se traduções de poesia dinamarquesa. O poeta traduzido é Benny Andersen e o tradutor para português é o polaco Marcin Wlodek, que tem como segunda pátria a Noruega e se especializou em estudos portugueses. Faz-nos lembrar Alessandro Zocca, italiano que vive em Moscovo e traduziu poetas russos para português incluídos em números nossos anteriores, para além de poemas seus em português também na DiVersos publicados.

As outras línguas presentes neste número foram já antes várias vezes traduzidas aqui: Christos Kyrkindanos, do grego moderno, por Rosa Salvado Mesquita; Efraín Huerta, mexicano, traduzido do castelhano por Francisco José Craveiro de Carvalho, matemático, poeta e tradutor, que pela primeira vez colabora com a Diversos, e logo com traduções de três poetas. Além de Huerta, e agora a partir do inglês, devemos-lhe traduções dos norte-americanos Robert Creeley, poeta grande na esteira de Ezra Pound e de William Carlos William, e de Michael Kelleher, que foi próximo de Creeley e mantém intensa atividade literária e cultural. Graças à recomendação amiga de Luís Quintais, pudemos assim beneficiar da generosa cooperação de F. J. Craveiro de Carvalho.

Do castelhano estão ainda presentes o colombiano Harold Alvarado Tenorio, traduzido por João Rasteiro, pela primeira vez presente na DiVersos, não só como tradutor mas também como poeta; e Pablo Luis Ávila, espanhol de Granada, amigo de Portugal, que ensinou longos anos em Turim, adiante traduzido por António Fournier, que o verte igualmente do italiano, língua em que Ávila escreveu também poesia.

Sob responsabilidade do editor, foram transcritos para português poemas de Xosé Lois García, poeta galego radicado na Catalunha, especialista de literatura africana de expressão portuguesa, sobretudo de Angola, a quem agradecemos a gentileza e paciência com que atendeu ao nosso convite e a cooperação na concretização dele.

Há publicações em Portugal que inserem poesia de autores castelhanos e galegos sem a verter para português. É uma decisão compreensível, e que terá até preferência por parte de alguns autores galegos. No número anterior, aliás, incluímos poemas de Alfredo Ferreiro, cuja opção é mesmo a de adotar expressamente a norma linguística de âmbito lusófono. Desde que, no número 21, decidimos tentar deliberadamente aproximarmo-nos mais da poesia galega, paradoxalmente mal conhecida entre nós e até aí pouco representada nas nossas páginas, optámos, o que nos parece igualmente legítimo, por passar ao português os originais escritos em galego, mesmo quando as diferenças são meramente ortográficas (como acontece adiante com o poema «Ollares») ou eventualmente fonéticas. Não porque pensemos que os leitores da DiVersos precisem dessa operação para os compreender! Tal como aliás não precisam em relação ao castelhano. Mas, simplesmente, porque consideramos que esse exercício pode ser linguisticamente e poeticamente interessante e mesmo enriquecedor.

Se a versão a partir de línguas mais ou menos afastadas da nossa tem interesse indubitável, interesse pode ter também fazê-la de línguas muito próximas. Galego, castelhano, português não são mais próximas entre si que o dinamarquês, o norueguês e o sueco, e a versão recíproca entre estas últimas é prática normal. O exercício põe problemas e desafios que julgamos úteis, não só para  portuguesesescolha, necessariamente breve, que percorre apesar disso o arco da generalidade da sua poesia. Dos restantes poetasumauma melhor compreensão dos originais como até da nossa própria língua.

 

Nos autores de poemas originais em português, neste número, destacamos duas miniantologias mais extensas. De Eduardo White, poeta moçambicano recentemente falecido, é traçada uma panorâmica que evidencia uma poesia digna de ocupar lugar importante no universo multicultural e multinacional da nossa língua. Numa futura que se deseja próxima antologia global da poesia de expressão portuguesa terá decerto o apropriado destaque. De Eduarda Chiote, de que inserimos no n.º 20 o longo poema Fiat Lux!, apresentamos uma escolha, necessariamente breve, que percorre apesar disso o arco da generalidade da sua poesia. Dos restantes poetas portugueses, António Cândido Franco, Jorge Vilhena Mesquita, Rui Tinoco e Teresa Ferro tinham já sido publicados antes na DiVersos. Gisela Rosa, Inez Paes, João Rasteiro e Rute Noiva, uns, com obra feita, outros a iniciá-la, como é o caso desta última, vêm alargar o naipe. De outros países de língua portuguesa, refira-se a são-tomense Goretti Pina e dois jovens poetas do Brasil, Ana Elisa Ribeiro e Stefanni Marion, o que mais uma vez foi possível graças a Elisa Andrade Buzzo, amiga firme da DiVersos.

 

 

20 ANOS DE DIVERSOS – POESIA E TRADUÇÃO

 

 

Esta série DiVersos – Poesia e Tradução iniciou-se em 1996 como uma publicação muito simples de poucas páginas. Proposta por Manuel Resende a três colegas numa instituição europeia onde trabalhavam, Carlos Leite, Jorge Vilhena Mesquita e José Carlos Marques, teve desde o início a ajuda muito próxima de um outro, José Lima, que ainda hoje a acompanha. O grafismo da capa do primeiro número, igualmente muito simples, deveu-se a Vasco Rosa. Ainda hoje se conserva, embora com alguma derivação circunstancial no tipo de letra usado, e, uma vez por outra, o acréscimo de uma vinheta ou de uma legenda suplementar.

Mantendo-se simples e discreta ao longo de duas décadas, a publicação foi gradualmente crescendo em número de páginas, não devido a algum êxito comercial ou mesmo literário que nunca teve, mas a um lento alargamento de colaboradores, poetas e tradutores, que, na maior parte dos casos chegaram até nós, e continuam a chegar, de forma espontânea. Este número é o maior de sempre, chegando a superar as 200 páginas, por um lado devido ao afluxo de colaborações, solicitadas ou espontâneas, e por outro lado para lhe imprimir uma intenção comemorativa, que se manterá no número 25 que esperamos editar igualmente neste vigésimo aniversário da sua existência. Não sabemos se poderemos manter esse número de páginas, seja por motivos de colaboração suficiente, seja por motivos de custos. Se chegámos até aqui foi apenas porque optámos por uma fórmula sóbria e encontrámos maneira de a realizar com baixos custos e uma pequena tiragem. Se o leitor aprecia a DiVersos na sua sobriedade, poderá querer apoiá-la, mantendo ou renovando a sua assinatura, tornando-se assinante ou oferecendo uma assinatura a um amigo, ou por qualquer outra forma a seu gosto.

Pelas edições publicadas, 24 apenas em 20 anos, é fácil ver que a intenção inicial que nos levou a subintitular a série «revista semestral de poesia e tradução», subtítulo mais tarde abandonado, não se concretizou. Curiosamente, após uma interrupção longa entre 2009 e 2012, conseguimos finalmente alcançar grosso modo uma regularidade de dois números em média por ano… Esperamos mantê-la assim pelos anos de longevidade que nos restarem.

O editor

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