Alexandre Pinheiro Torres

AMOR NAS ILHAS (AFORTUNADAS?) – Alexandre Pinheiro Torres

 

Se eu fosse água que milagre celebraria?

Nem sou sequer ainda a sua evaporação.

Não é as ilhas que os sonhos rebentam?

Eu vi as ninfas emergindo das águas

 

fartas de ilhas querendo invadir as caravelas:

quilhas afiadas no esmeril da areia.

A que trajecto pertenço? Todas as ilhas

São sementes de agonia. Nelas crescem fortalezas

 

aonde assomam às areias heróis que são

crianças mortas: quartos esquecidos duma casa.

A derrota são os canhões silenciosos pela aurora.

Nem a existência de um rei é um estandarte.

*

In A Flor Evaropada

Alexandre Pinheiro Torres, Lisboa, 1984, Publicações Dom Quixote

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