Amadeu Baptista

Lá vai o comboio amarelo, de Amadeu Baptista

Lá vai o comboio amarelo, voltou a passar

agora e quase não foi visto por ninguém.

Vai a uma velocidade louca, mas as crianças

continuam a dizer que não estão na infância

senão para o alvedrio das flores e das façanhas

vertiginosas. Página a página, folheiam

livros para colorir, com as suas caixas metálicas

de brilhos esfuziantes, a luz que se espalha

pelos arcos das pontes e faz da cidade

uma miríade de estrelas que pode ser vista

de longe, seja noite, ou dia. O comboio

que não pára de passar e faz de cada um de nós

os que a terra há-de reter no mais desabrido lugar.

*

Amadeu Baptista, Vida Breve, 2014, Editora Labirinto

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